ATRAÇÃO FATAL
casais felizes

ATRAÇÃO FATAL

Dizem que os opostos se atraem. Será?

Será que duas almas gémeas se unem porque vibram em polos opostos? 

Não me parece…

Quando duas pessoas se juntam e vibram em polos opostos, mais tarde ou mais cedo, o caminho deixa de fazer sentido, os percursos divergem e a discórdia instala-se.

Quando, por amor, duas pessoas se juntam, a disponibilidade para dar, crescer, ampliar perspetivas e enriquecer-se enquanto ser humano pode ser a chave de sucesso que tantos casais procuram.

O escritor e cineasta norte americano David Shenk tem uma expressão muito interessante acerca do poder transformador das relações. Num dos seus livros ele afirma “o casamento é uma máquina de fazer pessoas”. E eu concordo. Boas pessoas… espera-se.

O que uma relação a dois pode ter de mais maravilhoso é a descoberta, constante, de novos caminhos, de novas emoções e até de nós próprios, na descoberta do outro.

Mas, então, como podemos descobrir se “aquela é mesmo a minha alma gémea”? Se a relação vale a pena? Se a melhor decisão é mesmo investir neste relação ou será partir para outra?

A diferença e a complementaridade é bastante saudável em vários aspetos. Não há duas pessoas iguais e, por isso, encontrar uma alma gémea não significa, naturalmente, encontrar uma pessoa muita idêntica a nós. Mas isso não significa, que a solução é serem opostas. 

Pode acontecer, por exemplo, que um dos elementos do casal seja mais introvertido e o outro mais extrovertido… e estar tudo bem. Pode um ser mais pro ativo e o outro mais passivo… e estar tudo bem. Um gostar mais de tomar decisões e o  outro preferir não as tomar… e estar tudo bem. E, claro, todas estas diferenças (e muitas outras) serem diferenças comportamentais e de personalidade e estar tudo bem! Estas diferenças podem até ser um fator de estabilidade na relação e não haver qualquer problema com isso.

Mas há aspetos, numa relação, que não são negociáveis e, que, por isso mesmo, merecem uma atenção especial.

O primeiro são os valores

Os nossos valores pessoais, aquilo que é verdadeiramente importante para nós, são os pilares da nossa conduta, das nossas decisões, estão base dos nossos comportamentos e refletem a forma como nos relacionamos com os outros, como educamos os nossos filhos ou como avaliamos o que está certo ou errado. Estes são elementos chave numa relação. Carlos Tê dizia, num dos seus fantásticos poemas, cantados por Rui Veloso, que “não se ama alguém que não ouve a mesma canção”. De facto, a sintonia de valores e a admiração e o respeito que são gerados por esse alinhamento é verdadeiramente significativo e motivador numa relação. E pode até ser bastante sedutor. Quantos de nós já não sentiram aquelas borboletas na barriga ao ver, ao ouvir ou ao sentir um profundo orgulho na pessoa que vive connosco? Na sua conduta, no seu comportamento, na atitude que teve ou na sensibilidade que demonstrou perante um situação?  Orgulho pelos valores que demonstrou ter. O significado profundo que pequenos gestos podem ter, mostram a importância que valores partilhados têm numa relação a dois. Expressões como”o sentido de família dela toca-me profundamente”, “a sua entrega a esta causa é admirável”, “o amor que ele tem pelos animais diz tudo sobre si”, etc. demonstram deixam perceber pilares que sustentam uma relação saudável e duradoura.

Sentir esta conexão está longe de ser uma atração de opostos. É, isso sim, duas almas em sintonia, duas almas gémeas a vibrar ao mesmo ritmo. Não significa que ambos tenham que fazer as mesmas coisas, não são os comportamentos que geram a sintonia. Mas sim o que está por detrás do comportamento, o que o motiva.

O segundo aspeto verdadeiramente importante numa relação prende-se com o futuro.

Não há finais felizes para quem não traça um caminho. Onde queremos estar daqui a 10 anos? O que queremos estar a fazer? O que queremos ter? Que experiências queremos concretizar? Como queremos estar? Estas são perguntas essenciais e que devem estar sempre “em cima da mesa”. Para que uma relação resulte, e resulte bem, é importante manter os objetivos alinhados. Isto não significa, de todo, que ambos façam as mesmas coisas, que tenham os mesmos hábitos que se anulem em função do que quer que seja. Antes pelo contrário. A relação faz sentido e resulta enquanto houver, no horizonte, um destino comum. 

Ninguém sabe qual é o dia de amanhã e, numa família, as variáveis são muitas e às vezes complexas e imprevisíveis.

Mas casais felizes são casais que são capazes de manter o foco na relação vislumbrando e sentindo, em cada momento, a convergência dos seus caminhos…

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