DISCUTIR. SIM OU NÃO?

DISCUTIR. SIM OU NÃO?

Muitos casais ficam na dúvida se é bom ou mau para a sua relação discutirem. Há casais que discutem o tempo todo. Há casais que discutem muito pouco. E há casais que, simplesmente, não discutem. Mas afinal discutir é bom ou mau?

discutir é bom ou mau

Discutir pode ser uma forma de dialogar… ou uma forma de atacar!

Discutir no seio de um casal é sempre algo importante. E que deve ser encarado com naturalidade.

Uma relação equilibrada e saudável não é feita de duas pessoas iguais, de dois seres que pensam a mesma coisa sobre todos os assuntos, que têm os mesmos gostos em relação a tudo ou que têm que concordar com todos as decisões a tomar.

Discutir é inevitável e significa, antes de mais, que  as pessoas se interessam uma pela outra, que se interessam pela relação e, acima de tudo, que desejam obter consensos.

Por isso, a ausência total de discussões, está muitas vezes ligada à falta de interesse, à falta de envolvimento entre os membros do casal e à falta de capacidade para comunicarem de forma eficaz.

E é aqui que reside o cerne da questão.

O problema não está em discutir ou em não discutir. O problema está na forma como discutem. 

– Qual é o grau de agressividade que salta para a discussão?

– Que tipo de linguagem é utilizada? 

– Sobre o que é que o casal discute? 

– De que forma terminam as discussões?

Estas são algumas das perguntas que precisamos de fazer antes de decidirmos se as discussões são positivas ou negativas. 

E, em vez de saber se devemos discutir ou não, é muito importante aprender algumas coisas sobre discutir.

 

Vejamos então três aspetos a ter em conta no momento da discussão:

FOCO

Foque-se no aspeto específico da discussão.
Se estão a discutir sobre quem lava a loiça, não é não é sobre o comentário que “a tua mãe fez no domingo” ou sobre “é sempre a mesma coisa quando se trata de fazeres alguma coisa pela família” ou sobre “eu nunca deveria ter casado”…
Muitas discussões atingem proporções indesejáveis porque as pessoas misturam tudo e disparam em todos os sentidos.

ESCUTA

Algumas pessoas têm tendência para achar que discutir é apenas falar e gesticular.
Mas discutir é também ouvir.
Não adianta de nada descarregar toda a sua raiva, dizer tudo o que lhe vem à cabeça e desatar aos berros de forma descontrolada, se não é capaz de ouvir aquilo que o outro tem para lhe dizer.
Ah! E muito importante. Não caia na armadilha de achar que já sabe o que é que ele/a lhe vai dizer. Não sabe.
E se acha que a reação dele/a é sempre a mesma, experimente começar a comunicar de forma diferente. Não tem o poder de mudar o outro mas tem a grande arma para o poder influenciar: a forma como comunica.
O que é que lhe custa tentar?

FLEXIBILIDADE

Embora não pareça, a flexibilidade é a chave de sucesso de muitas relações.
Pessoas inflexíveis são pessoas rígidas, teimosas e que, mais tarde ou mais cedo, se revelam incongruentes e de difícil convívio.
Uma pessoa madura suporta as diferenças e até as estimula, pois acredita que elas são uma parte importante da riqueza que é viver a vida a dois. 

 

Um dos erros mais comuns nas discussões de casal é cada um começar a discutir acusando o outro. Nestes casos, é claro que a parte que se sente ameaçada, vai defender-se e/ou contra-atacar.

Esta ação/reação leva, inevitavelmente, à escalada do conflito.

A forma mais simples de evitar esta escalada negativa é aprender a comunicar, expressando aquilo que sentimos e não a responsabilidade do outro por aquilo que sentimos. 

Por exemplo, experimente dizer “eu fiquei ofendido com a crítica que me fizeste” em vez de “tu ofendes-me com as tuas críticas”. 

O que muda? 

No primeiro exemplo fala de si – “eu fiquei” – e do que sentiu – “ofendida”. E ainda especifica a situação – “a crítica”.

No segundo exemplo fala do outro – “tu” – e da responsabilidade dele – “ofendes-me”. E generaliza a situação – “com as tuas críticas”

No primeiro exemplo não está a atacar o outro. No segundo está. 

No primeiro exemplo, a discussão é sobre por aquilo que está a sentir. No segundo exemplo a discussão resvala para a acusação ao outro,  responsabilizando-o pelo que está a sentir. Desta forma, o  outro vai-se defender, vai contra-atacar e ficará ainda mais irritado por achar que a sua reação está a ser exagerada e até injusta.

Este é apenas um exemplo de como é possível discutir de forma construtiva, não ofensiva e eficaz. 

Aprendizagens

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