OS PRINCIPAIS DESAFIOS NA SEXUALIDADE DE UM CASAL AO LONGO DOS ANOS

OS PRINCIPAIS DESAFIOS NA SEXUALIDADE DE UM CASAL AO LONGO DOS ANOS

A vida sexual de um casal não é igual aos 20, aos 30, aos 50 ou aos 70 anos. O que muda?

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Desde o início da relação, até ao envelhecimento de um casal (quando isso chega a acontecer), a vida a dois passa por diferentes fases.

E cada uma traz, consigo, novos desafios.

A sexualidade não é indiferente ao ritmo biológico, familiar, social e até psicológico que carateriza as diferentes fases da vida de um casal.

Embora sem querer generalizar, porque cada caso é um caso, e é muito importante não ficarmos agarrados a rótulos ou preconceitos, há algumas ideias chave que podem ajudar um casal a entender o que se passa consigo, ou com o seu/sua parceiro/a.

E podemos estar a falar apenas… de uma fase da vida.

 

Eis o que costuma ser mais desafiante:

 

Aos 20 anos…

Por esta altura, as pessoas estão ainda a construir-se enquanto pessoas adultas e a consolidar os seus hábitos de comunicação.

Ao nível da sexualidade costuma haver, por esta altura, algumas  experiências de ejaculação precoce e, no caso das mulheres, alguma dor durante o ato, o que pode dificultar o prazer.

Nesta fase, é importante desenvolver o hábito de falar abertamente, e de forma tranquila.

É importante expressarem o que sentem, o que desejam e como uma construir uma sexualidade saudável e gratificante para ambos.

 

Aos 30 anos

Esta é a fase em que o relógio biológico começa a despertar e a fazer das suas. 

Normalmente, os casais estão, nesta fase, muito focados na sua carreira profissional, na decisão de viverem juntos, de ter filhos ou não, de construir a sua própria família e prosseguir com a relação.

Esta é, por natureza, a fase dos grandes sonhos, dos grandes projetos e das grandes expetativas.

É nesta altura que as mulheres se expressam mais sexualmente, e também começam a queixar-se quando as coisas não estão bem. 

No caso dos homens, esta é altura em que pode haver mais problemas relacionados com stress laboral, gestão de rotinas e novas responsabilidades.

Frequentemente, há também alguma ansiedade quanto ao seu  desempenho sexual, o que faz com que  possam surgir, efetivamente, alguns problemas ao nível da sexualidade.

Mais uma vez é importante que o casal seja capaz de falar sobre o que está a sentir e a encontrar, em conjunto, soluções que possam ajudar a enfrentar estes desafios.

Na verdade esta é uma década excelente, que pode ser a base para uma vida a dois com futuro e qualidade na relação.

 

Aos 40 anos…

Esta é a fase em que podem começar a surgir os grandes problemas.

É muitas vezes aqui, por esta altura, que o casal precisa de ajuda especializada para enfrentar desafios sérios da relação.

Para os casais que ainda não têm filhos mas que ambos os desejam ter, a entrada nos 40 é uma fase crucial.

Para os casais que não se entendem quanto a ter  este pode ser um desafio difícil de ultrapassar.

Para os casais que já têm filhos, o grande desafio é encontrar tempo e disposição para viver a sua intimidade e sexualidade intensamente .

Esta costuma ser uma das  fases mais desafiantes na vida de um casal.

Aliás, de acordo com os dados publicados pelo INE, a idade média em que os divórcios acontecem, é mesmo por volta dos 45 anos.

Por isso, esta é uma década sensível e vulnerável a alguma turbulência.

O segredo? – Decidir o que cada um quer para o futuro, o que ambos querem para o futuro e a relação que querem ter.

E, se valer a pena para ambos, investirem na construção desse projeto, procurando ajuda, se necessário.

 

Aos 50 anos…

Para alguns homens, esta pode ser a fase em que começam a surgir os primeiros sinais de disfunção erétil, muitas vezes relacionados com a saúde cardiovascular, hipertensão arterial ou diabetes.

No caso das mulheres verificam-se, por esta altura, alterações hormonais significativas, que são muitas vezes responsáveis por uma diminuição ao nível do desejo sexual.

Estas circunstâncias podem transformar-se num problema para o casal. 

Mas nada que não se resolva!

Nestes casos, é muito importante que o casal invista, de forma pro ativa, em criar condições para que o desejo (re)apareça e não se acomodar no sofá à espera que ele surja de forma espontânea.

Esta é uma oportunidade para o casal desenvolver um estilo de vida saudável e encontrar novos interesses.

É o momento para desfrutar da experiência de ter filhos que já não usam fraldas, que já não precisam de ajuda para fazer os trabalhos de casa e que até lhes agradecem alguma liberdade!

Mais uma vez, comunicar de forma aberta e sincera sobre o que cada um está a sentir é muito importante.

Estar disponível para sair da zona de conforto e procurar o reforço da intimidade e uma maior conexão, pode trazer uma nova vida à relação e até uma relação reinventada.

 

Aos 60 anos…

Esta costumava ser uma altura da vida em que as pessoas entravam, “oficialmente” na 3ª idade.

Mas a velhice já não é o que era e os 60 anos de um casal pode revelar-se uma das fases da vida mais relaxadas, mais tranquilas e até mais disponíveis para fazerem o que lhes apetece.

O pior que pode acontecer nesta fase é rotular as relações com preconceitos.

    • O que se pode ou não pode fazer aos 60 anos?
    • O que significa ter 60 anos?
    • O  que é suposto acontecer nesta idade? 
    • O que é que os outros esperam de nós?

Estamos, atualmente, perante uma nova geração de 60 anos. Tudo está em aberto.

Por isso, o casal deve, nesta fase, sentir-se livre para fazer o que quer fazer, para ser o que quer ser, para sentir o que quer sentir. E para viver a sua sexualidade como muito bem lhe apetecer.

Claro que as características individuais estão agora mais “cristalizadas” e pequenos defeitos podem começar  a tornar-se  mais incómodos.

Mas, uma vez mais, uma boa comunicação permite que o casal discuta como quer envelhecer e encontre, em conjunto, as melhores soluções para si. 

 

Aos 70 anos…

Esta já é uma evidência nesta fase: elas sentem menos apetite sexual, eles sentem um decréscimo na função erétil.

Mas esta é a altura em que o casal encontra, ou já encontrou, formas alternativas de alcançar satisfação sexual. Principalmente se, para eles, isso continua a ser importante.

Porque, se o não fôr, isso não os impede de ter uma grande satisfação relacional. Uma intimidade menos sexualizada, que pode ser igualmente satisfatória e promover sentimentos de segurança e de intimidade que são muito  importantes para a vida de um casal.

 

E partir dos 80?

Conhecem casais que se conhecem nesta fase madura das suas vidas e, ainda assim, decidem casar?

O que poderá ser importante nesta fase da vida?

Deixo-vos a refletir sobre isso…

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