TAL MÃE, TAL FILHA!
tal mãe tal filha

TAL MÃE, TAL FILHA!

tal mãe tal filha

Esta é uma expressão que ouvimos muitas vezes: tal mãe tal filha!

Mas será mesmo verdade esta ideia? Será que uma filha transporta inevitavelmente, em si, toda uma carga (positiva ou negativa) da sua mãe?

As famílias seguem um padrão. É isso que, muitas vezes, as caracteriza.Ao longo das gerações há um sistema de crenças, de valores e até de comportamentos, que vai passando. E apesar de ir evoluindo, ele vai marcando as famílias e a forma como funcionam.

Na verdade, o vínculo entre uma mãe e uma filha estabelece-se desde muito cedo e  marca, profundamente, a identidade de cada mulher. Não é o mesmo ser filha de uma mãe stressada, controladora, e que vive ansiosa, ou ser filha de uma mãe descontraída, serena e que vive cada momento de forma serena e pacificada.

Mas os efeitos destas caraterísticas não são exclusivos das raparigas. Eles refletem-se também nos rapazes e na sua personalidade. O que é, então, diferente?

De acordo com estudos recentes nas áreas da psicologia e da psicoterapia sistémica, muitos autores afirmam que o papel da mãe é essencial na construção do Eu feminino da filha. Que a qualidade deste vínculo tem um papel muito importante no crescimento de cada Mulher e que será, em grande parte, responsável por garantir, ou não, um sentimento de segurança e estabilidade emocional ao longo da sua vida. 
Uma relação mal resolvida com a mãe, parece estar associada a muita ansiedade, a sofrimento e, sobretudo, a algumas tendências depressivas e memórias traumáticas.

Todos conhecemos mulheres que passam uma vida a lutar contra o feitio da mãe, contra as manias da mãe, contra uma mãe controladora, difícil, egoísta, invasiva. Uma mãe que as destabiliza, que causa sufoco e que as deixa desesperadas. Divididas entre serem boas filhas e libertarem-se dos efeitos de uma “mãe imperfeita”, muitas mulheres sofrem (e sentem até alguma vergonha de o sentir)  raiva e sentimentos de culpa que, muitos homens, dificilmente entendem.

A verdade é que, enquanto filhas, temos uma enorme tendência para espelhar as nossas mães. Às vezes de forma consciente. A maior parte das vezes, de forma inconsciente. Às vezes porque as admiramos, outras, porque detestamos certas coisas. Uma vezes por imitação, outras por contraposição. Mas, na verdade é sempre “em relação a elas”. Porque elas são o nosso modelo. Inevitavelmente. Por presença, por ausência, por referência ou por rejeição. Não é pouco comum, contudo que, em qualquer dos casos venhamos, mais cerdo ou mais tarde, a constatar, de forma quase trágico-cómica, que “quando dei por mim, estava a fazer exatamente como a minha mãe!” 

É por isso que, frequentemente, mulheres que são mães muito jovens têm mães que o foram mães, igualmente, muito jovens. Mulheres que são vítimas de violência de género têm filhas que também o serão. Mães seguras e confiantes, têm filhas igualmente mais seguras e confiantes.

O que importa, então, salientar? A influência que uma mãe tem sobre uma filha é única  e incontornável. Principalmente sobre a primeira filha. A mais velha. A forma como uma mãe se sente, a forma como vive e o seu estilo de “dar e demonstrar” amor vão influenciar, e muito, a forma como a filha se sente, como vive e como dá e demonstra amor. 

Por isso, é tão importante que, enquanto mães de meninas, o nosso foco esteja menos naquilo que lhes dizemos ou naquilo que fazemos mas, acima de tudo, na pessoa que somos. A nossa preocupação connosco próprias e o investimento que fazemos na nossa própria (re)construção são, sem dúvida, o melhor presente que podemos oferecer a uma filha. Uma mãe segura, equilibrada e com uma boa auto-estima, é uma mãe capaz de ajudar a sua filha a ser uma mulher segura, equilibrada e com uma boa auto-estima.

Como? Apenas sendo!…

É certo que a vida dará muitas voltas, que as filhas encontrarão sempre obstáculos e novos desafios. Mas a estrutura interna, a mais profunda, estará sempre lá. O modelo, o exemplo, a forma de pensar e de sentir estarão devidamente alicerçadas para, no momento certo, dispararem, naturalmente, na vida da filha e gerarem os resultados desejados. 

Tal mãe, tal filha!

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