VIVER A VIDA A DOIS

VIVER A VIDA A DOIS

Viver a vida a dois é uma das decisões mais importantes que tomamos ao longo da nossa vida.

Afinal é da nossa vida que se trata. E esse é um assunto muito sério. Principalmente quando o poder está nas nossas mãos.

Ainda que…

Sim, não tem que ser para a vida toda. Sim, não tem que dar certo e as pessoas podem separar-se a qualquer momento. Sim, ninguém tem que ficar refém de uma relação tóxica ou desgastada. Sim hoje, felizmente, temos a liberdade de casar, descasar, juntar, separar, partilhar, dividir, unir, desunir, estar, já não estar… e está tudo bem!

Ainda assim, a questão parece ser mais profunda. E mais desafiante.

Quando decidimos investir numa relação feliz e (o mais possível) duradoura sabemos, ou é importante sabermos, que nos esperam grandes desafios. 

Viver a vida a dois pode ser o sonho de qualquer pessoa. As vantagens e o retorno emocional podem ser intensos e inigualáveis. Mas esta é uma decisão que traz, consigo, enormes desafios.

Gosto particularmente duma expressão de Vergílio Ferreira que afirmava: 

A espécie humana compromete-se com um casal para que entre eles aconteça o amor. No entanto, logo que se apanha servida, vira-lhes as costas e eles que se arranjem.

É genial esta visão das relações. É sobretudo interessante porque realmente, se nada fizermos, a tendência natural de uma relação é que… não resulte! 

E na verdade os desafios são muito e muito complexos. A vida a dois conhece diversas fases e tem necessidades constantes de (re)adaptação. São as dificuldades que surgem em lidar com as diferenças, são as dificuldades em lidar com as semelhanças, são as transformações individuais que ocorrem ao longo da vida, são as transformações que ocorrem nas próprias relações, são os novos elementos que se juntam ao casal. São desafios familiares, pessoais, profissionais, financeiros e sociais. 

Acima de tudo são todo um projeto de vida que exige permanentes (re)ajustes, novas abordagens e muita criatividade

Às vezes, nos tempos que correm, isto não é fácil. Nem parece ser compatível com comportamentos demasiado individualistas, competitivos, egocêntricos ou impacientes. Afinal, viver uma (boa) vida a dois implica dispor de uma boa dose de humildade, de generosidade e, claro, algum espírito de sacrifício. 

Caso contrário a tendência é que… corra mal!

E quando as coisas correm realmente mal e a separação é mesmo a melhor solução?

Ainda não conheci, até hoje, nenhuma separação que não tenha causado, nas pessoas, uma marca profunda. Algumas falam de frustração, outras de desencanto. Umas falam de cansaço, outras de desilusão. Umas falam de angústia, outras de raiva. Umas falam de desgosto, outras de arrependimento. Umas falam de  depressão, outras de desprezo. Mas todas falam de dor. E uma dor que atravessa várias fases.

A forma como cada pessoa lida com uma separação é também, em si, um importante processo de desenvolvimento pessoal e de autoconhecimento. 

Conheço muitas pessoas que, passadas as fases de uma separação ou divórcio brotaram, como novas, em todo o seu explendor. 

São pessoas que se renovaram. Que se reinventaram. Que se redescobriram. Que se reencontraram. E que, desta forma, renasceram. E isso é maravilhoso! 

É por isso que a decisão de viver a vida a dois é sempre uma das decisões mais importantes que alguém toma na sua vida.

Quando resulta é uma oportunidade de crescimento profundo, gratificante e muito enriquecedor. Quando não resulta é uma oportunidade de transformação profunda, enriquecedora e altamente potenciadora.

E está tudo bem…

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